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A invasão da venezuela e o sequestro de maduro pelos eua

No dia 03 de janeiro de 2026, durante a madrugada, o Governo dos Estados Unidos operou um ataque à Venezuela, atingindo sua capital Caracas, além de outras regiões do país. O presidente estadunidense Donald Trump afirmou que Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores foram capturados, ao mesmo tempo em que o casal foi denunciado pela Procuradoria-geral dos EUA à seção do Distrito Sul de Nova York, em um dos tribunais conhecidos por aplicar penas duras para casos de narcoterrorismo (crime acusado pela Procuradoria).

 

O presidente Maduro e sua esposa, segundo declarações do governo norte-americano, estão a caminho de Nova York no Navio US Iwo Jima. Trump divulgou em suas redes sociais uma foto de Nicolás Maduro vendado com uma garrafa de água nas mãos, supostamente dentro do navio viajando no Caribe.

 

A vice-presidente Delcy Rodriguez, durante a manhã do dia 03, exigiu prova de vida de Maduro e disse ao jornalista brasileiro Breno Altman que não sabia a localização do presidente. Rodriguez assume a presidência do país na ausência de Maduro, e de acordo com a estrutura do governo Venezuelano, ela permanece no poder até a realização de novas eleições que devem ser convocadas, já que a vice-presidente não é eleita em conjunto com o presidente no país, sendo indicada posteriormente a eleição pelo candidato vencedor e governando como uma espécie de “primeira-ministra”. 

 

De acordo com a Constituição Venezuelana em seu artigo 233, a Assembleia Nacional deve convocar uma nova eleição dentro de 30 dias consecutivos, enquanto a vice-presidente exerce o cargo. Entretanto, as declarações do presidente Trump, do Secretário de Estado Marco Rubio e do Secretário de Guerra Pete Hegseth, indicam que os Estados Unidos planejam tomar o governo Venezuelano durante “um período de transição” que seria necessário até haver condições seguras, apropriadas e criteriosas para uma transição. 

 

Trump ainda declarou que Marco Rubio conversou com a vice-presidenta, que se mostrou “disposta a cooperar” com “o que os Estados Unidos precisar” e elogiou a atitude de Delcy Rodriguez como “graciosa”, sugerindo que o tom da conversa pode ter sido de uma abertura diplomática maior do que o imaginado para tal situação. Mesmo assim, o presidente norte-americano declarou que não permitirão que membros do governo chavista continuem no poder, e que o governo estadunidense conduzirá a Venezuela ao mesmo tempo em que leva as empresas de exploração de petróleo norte-americanas de volta para o país, gerando riqueza que “ficará na Venezuela” e que também servirá para “reembolsar” supostos prejuízos que o país causou aos Estados Unidos.

 

Presidentes e Primeiros-ministros do mundo todo condenaram a ação estadunidense, defendendo que mesmo sob governos autoritários, a soberania nacional é "inviolável e sagrada". Até mesmo líderes de espectros políticos adversários, como Marine Le Pen da extrema-direita francesa, condenaram o ataque.

O presidente Lula condenou os ataques realizados contra a Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, afirmando que os bombardeios praticados pelos Estados Unidos são uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela” e “ultrapassam a linha do aceitável”, além de representarem “um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”. Sem citar os nomes de Trump ou de Maduro, o presidente ainda declarou que o uso da força, em uma flagrante violação do direito internacional, é o caminho para “um mundo de violência, caos e instabilidade”.

 

O presidente reafirmou a posição brasileira de repúdio a ações militares unilaterais e destacou que o Brasil adotou a mesma posição para outros conflitos correntes, ainda destacou que os atos ofensivos ameaçam a preservação da América Latina como uma zona de paz.

 

Lula defendeu a ordem liberal internacional, ao pedir uma resposta firme da Organização das Nações Unidas (ONU) e reforçar que o Brasil está disposto a ajudar a restabelecer o diálogo e a cooperação. Vale lembrar que o governo Brasileiro não reconheceu o resultado da última eleição ocorrida na Venezuela, que manteve Maduro como presidente e teve seu resultado contestado por organizações internacionais e diversos países.

 

O presidente brasileiro ainda convocou uma reunião sobre o assunto, juntamente com o Ministro das Relações Exteriores, o Ministro da Defesa, o Ministro-Chefe da Casa Civil, o Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, além de representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na reunião, o Presidente da República reiterou sua posição acerca do conflito.

A ofensiva militar dos Estados Unidos em território venezuelano é mais que um evento isolado trata-se de um acontecimento que projeta efeitos amplos sobre a América Latina, região que, apesar de suas crises políticas recorrentes, manteve nas últimas décadas um relativo consenso em torno da resolução pacífica de conflitos interestatais e da rejeição a intervenções externas diretas. Porém, a investida militar ocorrida durante a madrugada do dia 03 de janeiro de 2026, rompe com tal padrão histórico e introduz um elemento de incerteza sistêmica.

 

A princípio, a captura do chefe de Estado da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças dos Estados Unidos, sem mediação unilateral clara, configura-se como uma fragilização dos princípios centrais do sistema internacional, como a soberania nacional e a não intervenção, consagrados na Carta das Nações Unidas, reacendendo memórias históricas de intervenções estrangeiras na região ao longo do século XX. Dessa forma, tal operação alimenta a desconfiança estratégica dos países em relação aos Estados Unidos, incentivando discursos de autonomia regional e resistência política, no qual, fomenta um endurecimento retórico e diplomático por parte dos governos da região. O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que a ação estabelece um “precedente perigoso” e levantou sérias preocupações sobre a violação da Carta da ONU. 

 

Por outro lado, parte dos governos latino-americanos recebeu a operação de forma positiva, como foi o caso da Argentina, no qual o atual presidente do país, Javier Milei, comemorou a captura do presidente venezuelano. Tais países veem a iniciativa norte-americana como uma oportunidade para a reorganização política da Venezuela e para o enfraquecimento de governos alinhados a projetos considerados antidemocráticos. 

 

Ademais, vale ressaltar que a Venezuela possui vastas reservas de petróleo, sendo o país com maior quantidade das mesmas no globo, sendo assim, qualquer incerteza quanto à sua governabilidade repercute nos mercados internacionais de energia, no qual o ambiente de insegurança política tende a afastar investimentos, elevar custos financeiros e ampliar a percepção de risco não apenas em relação à Venezuela, mas à América Latina como um todo. 

 

Em seguida, as consequências sociais e humanitárias podem se agravar ainda mais com a operação militar dos Estados Unidos, no qual, há anos, a Venezuela enfrenta uma grave crise econômica e intenso fluxo migratório e a intensificação da instabilidade política pode agravar esse cenário, gerando novos deslocamentos populacionais e aumentando a pressão sobre os sistemas sociais e econômicos dos países vizinhos. Assim, a intervenção também fragiliza o papel de organismos multilaterais, como a ONU e a OEA, cuja função central é justamente prevenir conflitos e promover soluções pacíficas. Tal descredibilização dessas instituições ocasiona no enfraquecimento de normas internacionais e a sobreposição do uso da força militar em detrimento do diálogo diplomático.

Mas o que levou realmente os Estados Unidos a invadir a Venezuela e depor seu presidente? A justificativa oficial do governo norte-americano foram os problemas enfrentados pelo país no combate às drogas, em especial a cocaína, que supostamente era levada aos EUA à partir de embarcações que saíam da Venezuela e atravessavam do Caribe até a Flórida. Essas acusações ao presidente venezuelano já ocorrem desde o ano de 2013, o qual foi apontado como participante do grupo Cartel de los Soles (organização venezuelana que segundo os EUA tem relação com o tráfico de drogas). 

 

Entretanto, por trás da questão do narcotráfico divulgada como a principal razão para a captura de Nicolás Maduro, especialistas analisam mais a fundo a situação da Venezuela para entender o por que o ataque da madrugada beneficia tanto o governo americano. 

 

Atualmente, ao analisar o cenário energético global percebe-se que o território venezuelano é muito mais do que apenas terras comuns da América do Sul. A realidade por trás disso se mostra quando notamos que esse pequeno espaço guarda a maior reserva de petróleo do mundo, 17% do total de petróleo mundial está na Venezuela, além de reservas minerais e de terras raras. Ao nos perguntarmos o por que a Venezuela não faz uso dos recursos energéticos que têm, começamos a analisar uma série de fatores que também necessitam de contexto. Em 2013, por exemplo, durante o governo de Barack Obama, a Venezuela foi alvo de um pacote de sanções que incluíam o congelamento das ações nos EUA da empresa petroleira venezuelana PDVSA gerando perdas de 11 bilhões de dólares somente no ano de 2014. 

 

Apesar das sanções, atualmente os EUA ainda são um dos principais compradores das reservas de petróleo venezuelanos. Nesse sentido, conseguimos, finalmente, ter a dimensão da importância que o território venezuelano tem para os Estados Unidos. Desse modo, por consequência ou não, todos esses aspectos influenciam e são levados em consideração ao planejar um ataque militar estratégico, já que são esses aspectos que regem ou não o lucro ou as despesas que se obtém com o ataque.

Fontes: Reuters, BdF, Aljazeera English, Opera Mundi, G1, CNN Brasil

Escrito por: Guilherme Lopes Brandão, Júlia Ratke Ferreira, Emily Herbertz e Gustavo Garcia.

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